Foto Instituto Argonauta
As equipes do Instituto Argonauta, que atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), foram acionadas para atender um elefante-marinho (Mirounga leonina) em São Sebastião, na Praia de Boiçucanga, na quarta-feira (1º).
Antes de permanecer no local, o animal foi observado ao longo da tarde em diferentes praias da região, como Barra do Sahy e Juquehy, em busca de um local adequado para descanso. Em alguns momentos, a aproximação e a aglomeração de pessoas fizeram com que retornasse ao mar, até conseguir subir e permanecer em repouso em Boiçucanga.
No local, o animal encontra-se em repouso na faixa de areia, comportamento natural da espécie. As equipes realizam monitoramento contínuo e avaliação de sua condição, incluindo a necessidade de intervenção. Trata-se de um indivíduo jovem, com respiração tranquila, sem sinais aparentes de dificuldade e em bom estado corporal.
O animal está em processo de muda, fase em que ocorre a troca da pele e dos pelos, sendo comum que permaneça por longos períodos fora d’água. Durante esse período, é esperado que fique imóvel e apresente aspecto de pele descamando, o que não deve ser confundido com doença.
Os elefantes-marinhos são mamíferos marinhos típicos de regiões subantárticas, como a Patagônia e ilhas do Atlântico Sul. Eventualmente, indivíduos, principalmente juvenis, percorrem grandes distâncias e alcançam o litoral brasileiro.
O oceanólogo e presidente do Instituto Argonauta, além de diretor executivo do Aquário de Ubatuba, Hugo Gallo Neto, explica que o aparecimento desses animais no litoral brasileiro ocorre com frequência, especialmente quando indivíduos jovens se deslocam para áreas mais ao norte. “Esse deslocamento faz parte do comportamento natural da espécie e pode estar relacionado à busca por alimento, correntes oceânicas e processos de dispersão”, afirmou.
A bióloga e coordenadora do Trecho 10 do PMP-BS pelo Instituto Argonauta, Carla Beatriz Barbosa, reforça a importância de manter distância e evitar qualquer tipo de aproximação. “Nossa equipe seguirá monitorando e avaliando a condição de saúde do animal. Quando há interferência, ele pode retornar ao mar antes do necessário, o que causa desgaste e pode comprometer esse processo”, disse.
As equipes de veterinários e biólogos do Instituto seguem acompanhando a ocorrência, garantindo a segurança do animal e da população.
Os especialistas orientam que, ao se deparar com a espécie, a população não se aproxime ou toque no animal, mantenha distância, evite aglomerações, não leve animais domésticos para perto e não tente devolvê-lo ao mar. Embora apresente comportamento tranquilo, trata-se de animal silvestre, que pode reagir de forma defensiva caso se sinta ameaçado.