Instagram lança mapa com localização de amigos.
A nova ferramenta "Mapa do Instagram", liberada para usuários brasileiros nesta semana, tornou-se um dos assuntos mais comentados das redes sociais. O recurso permite que usuários compartilhem sua localização com seguidores e visualizem conteúdos associados a locais específicos dentro de um mapa interativo disponível na área de mensagens diretas (DMs). Apesar de ser opcional, a novidade gerou uma onda de críticas e preocupações relacionadas à privacidade e à segurança dos usuários.
A ferramenta aparece por meio de um ícone de globo chamado "Mapa" dentro das mensagens diretas. Segundo a Meta, empresa responsável pelo Instagram, o compartilhamento de localização vem desativado por padrão e só é ativado caso o usuário escolha compartilhar sua localização. Também é possível definir quem poderá visualizar essas informações.
Além da localização de amigos autorizados, o recurso também reúne publicações, stories e outros conteúdos vinculados a locais específicos. A proposta da empresa é facilitar conexões e a descoberta de conteúdos geolocalizados.
A principal preocupação é que a ferramenta possa expor hábitos e rotinas dos usuários. Especialistas em segurança digital alertam que informações de localização podem revelar locais de trabalho, academias, escolas, residências e trajetos frequentes, permitindo a construção de um verdadeiro mapa comportamental da vida de uma pessoa.
Nas redes sociais, usuários demonstraram preocupação com possíveis casos de perseguição, assédio e até crimes patrimoniais. O tema rapidamente ganhou destaque entre os assuntos mais comentados do país. Em fóruns e comunidades online, internautas classificaram a funcionalidade como um potencial risco à segurança, especialmente para mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Erika Hilton critica recurso
Entre as vozes que se manifestaram contra a novidade está a deputada federal Erika Hilton. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar alertou para os riscos da exposição de localização em tempo real e destacou possíveis impactos sobre a segurança de mulheres, pessoas LGBTQIA+ e vítimas de violência. A crítica reforça o debate sobre os limites entre inovação tecnológica e proteção de dados pessoais.
No Brasil, dados de geolocalização são considerados dados pessoais e estão protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. A legislação determina que empresas devem obter consentimento claro do usuário para coletar e compartilhar esse tipo de informação.
Como o recurso é apresentado como opcional e exige ativação pelo usuário, especialistas avaliam que, em princípio, a funcionalidade não viola a legislação brasileira. No entanto, questionamentos podem surgir caso usuários aleguem falta de transparência sobre o funcionamento da ferramenta ou dificuldades para compreender o alcance do compartilhamento.
A Justiça pode interferir?
Eventuais medidas judiciais dependeriam da comprovação de falhas na proteção dos usuários ou de violações à LGPD. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados pode investigar práticas relacionadas ao tratamento de dados pessoais caso sejam identificados riscos ou denúncias.
Embora não exista, até o momento, qualquer decisão judicial relacionada ao Mapa do Instagram no Brasil, especialistas apontam que o debate pode chegar aos órgãos reguladores se forem registrados casos de abuso, perseguição ou uso indevido das informações de localização.
Especialistas recomendam que usuários revisem as configurações de privacidade da plataforma, verifiquem quem possui acesso às informações compartilhadas e mantenham a localização desativada caso não haja necessidade de utilizar o recurso. O alerta é ainda maior para adolescentes, mulheres e pessoas que já enfrentam situações de assédio ou perseguição online.