(Imagem: Divulgação / Prefeitura de Caraguatatuba)
Por Danilo Costa
Um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (4) trouxe à tona denúncias sobre a situação atual da Guarda Mirim em Caraguatatuba.
Nas imagens, uma jovem que se identifica como Marcondes, formada pela segunda turma do projeto, afirma que a Guarda Mirim da cidade enfrenta abandono e falta de estrutura para continuar funcionando.
Durante o relato, a ex-participante relembra o período em que o programa atuava de forma ativa na cidade.
“Em 2019, a Guarda Mirim fez várias coisas pela cidade. A gente ajudava em eventos voluntariamente, sem ganhar nada, e era feliz no que fazia”, afirma Marcondes.
Segundo a jovem, o projeto tinha como foco a formação cidadã e a inserção de jovens no mercado de trabalho, além de promover valores como respeito e convivência social.
Confira o vídeo AQUI.
Denúncias apontam falta de estrutura e apoio
Ao longo do vídeo, publicado na página Boca no Trombone Litoral, no Facebook, a ex-integrante passa a descrever o cenário atual do projeto, indicando uma mudança na estrutura e na oferta de suporte aos participantes.
De acordo com o relato, a iniciativa enfrenta dificuldades operacionais que impactam diretamente sua continuidade.
“Hoje, a Guarda Mirim é um projeto que não tem sede, não tem professor e não tem equipe para continuar”, afirma a jovem.
Ainda segundo Marcondes, a situação tem refletido no engajamento dos jovens que permanecem no programa.
Ela explica que a falta de estrutura e de perspectiva tem afetado a motivação dos participantes.
“Os nossos jovens não têm motivação para continuar, porque fomos abandonados pela própria cidade”, completa a ex-participante da Guarda Mirim.
A denunciante também aponta que, diante das dificuldades, parte das atividades estaria sendo mantida com apoio de ex-integrantes, que seguem colaborando de forma voluntária.
Segundo ela, essa participação ocorre mesmo após a conclusão no projeto e sem suporte institucional.
“A maior parte da equipe somos nós, que já somos formados há anos, e ainda assim fazemos trabalho voluntário, porque a prefeitura não nos dá apoio nenhum”, afirma a denunciante.
Outro ponto mencionado no vídeo diz respeito às oportunidades prometidas aos jovens após a formação.
De acordo com Marcondes, há participantes que aguardam inserção no mercado de trabalho e continuidade das atividades sem estrutura adequada.
“Estamos sem empregos para os jovens já formados e sem estrutura para os que ainda estão no curso”, afirma a jovem.
Contraste com anúncio de reestruturação
As declarações contrastam com anúncios recentes da administração municipal.
Em julho de 2025, a Prefeitura de Caraguatatuba divulgou a reestruturação da Guarda Mirim, com a formação da 7ª turma, envolvendo cerca de 80 alunos, além de promessas de investimentos e fortalecimento do projeto.
Menos de um ano após o anúncio, vem à tona a denúncia da ex-participante da Guarda Mirim, apontando um cenário de fragilidade, com relatos de ausência de estrutura básica e dependência de voluntários para a continuidade das atividades.
Questionamentos sobre continuidade do projeto
Na parte final do vídeo, a ex-integrante direciona a fala para a importância histórica da iniciativa e faz um apelo por atenção ao projeto, destacando sua função social ao longo dos anos.
“Esse projeto foi criado para tirar crianças da rua e ensinar respeito. Poderiam olhar para nós com mais zelo”, afirma a jovem.
Em seguida, ela levanta questionamentos sobre a prioridade dada às políticas públicas voltadas à juventude no município, encerrando o vídeo com indagações diretas sobre o tema.
“A educação não importa? A criação dos jovens não importa?”, com esses questionamentos, o vídeo é encerrado.
A matéria foi publicada no Portal VL News, que entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Caraguatatuba para obter esclarecimentos sobre as denúncias e a situação atual da Guarda Mirim. Confira a nota oficial na íntegra:
"De acordo com a lei nº 1190 de 24 de agosto de 2005 a Guarda-Mirim de Caraguatatuba está instituída e suas atribuições fixadas no decreto nº 895 de 18 de junho de 2018, ofertando 80 (oitenta) vagas a adolescentes, obrigatoriamente, matriculados na Rede Municipal de Ensino com idade mínima de 14 anos e máxima de 16 anos e 11 meses, alocados em dois polos localizados no CIASE Wilson Francisco Valente no bairro Sumaré e no CIASE Governador Adhemar Pereira de Barros no bairro do Travessão, pautando o atendimento nas regiões sul, norte e centro.
A reestruturação contou com a ampliação da quantidade de vagas ofertadas de 60 para 80, além de a gestão disponibilizar espaço físico para implementação de uma sede exclusiva que será reestruturada para atendimento das demandas necessárias e específicas da instituição.
Atualmente não existe parcialidade no atendimento aos alunos, a Guarda atua em sua totalidade, onde, além dos professores e equipe pedagógica, conta com parceria intersetorial representada pela GCM (Guarda Civil Municipal), Corpo de Bombeiros, IFSP Campus Caraguatatuba e Departamento Municipal de Trânsito."