Caso é investigado pela Polícia Civil de Caraguatatuba.
Um homem de 27 anos sobreviveu a uma tentativa de execução após ser submetido ao chamado “tribunal do crime” na noite de terça-feira (14), em Caraguatatuba, mais um episódio que evidencia o aumento da violência no município e a atuação cada vez mais frequente desse tipo de julgamento paralelo imposto por criminosos.
Mesmo baleado diversas vezes, ele conseguiu escapar ao fingir que estava morto. De acordo com boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, a vítima foi rendida por três homens e forçada a entrar em um carro no bairro Rio Claro, na região conhecida como Estrada da Petrobras.
Segundo relatado à polícia, os criminosos estavam em um VW Fox preto e abordaram o homem sob a justificativa de “cobrar” um suposto envolvimento dele em uma tentativa de furto de jet ski ocorrida dias antes, prática comum em casos associados ao chamado “tribunal do crime”, em que suspeitos são julgados e punidos sem qualquer direito de defesa. A vítima afirma que recusou participar do crime, mas mesmo assim foi capturado e levado até uma área próxima a um bar, onde os suspeitos, armados, efetuaram diversos disparos. O homem foi atingido na perna, nas costas, na mão e próximo à orelha, em uma clara tentativa de execução.
Mesmo gravemente ferido, relatou que fingiu estar morto após os tiros. A estratégia fez com que os criminosos deixassem o local acreditando que a execução havia sido concluída.
Assim que percebeu a fuga dos suspeitos, ele conseguiu se levantar e correu até moradores da região em busca de socorro. O resgate foi acionado e a vítima encaminhada ao pronto-socorro, onde permaneceu sob cuidados médicos e em observação no centro cirúrgico. O estado de saúde atualizado não havia sido divulgado até a conclusão do registro policial.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio e será investigado pela Polícia Civil, que busca identificar os três suspeitos e confirmar a motivação do crime. A ocorrência reforça a preocupação das autoridades com o avanço de execuções e julgamentos clandestinos no município.
Segundo o boletim, o local do ataque não foi preservado, o que pode dificultar a coleta de provas e o andamento das investigações iniciais, mais um obstáculo em meio ao cenário crescente de violência que preocupa moradores de Caraguatatuba.